A arte é quem?

Uma das maiores vantagens da internet é a possibilidade de fazer amigos em qualquer lugar do mundo. Alguns eu conheço há mais de dez anos, e eles já conseguem reconhecer minhas ilustrações sem precisar conferir sequer a assinatura. São justamente esses amigos que, quase semanalmente, me mandam e-mails apontando o uso não autorizado de minha arte. Já houve casos aqui no Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e até na Bahia.

Em 90% dos casos, os incidentes envolvem a coleção “Folcloridades”, que desenvolvi em 2007 para promover o lançamento de uma publicação do CPC Aracy de Almeida, em parceira com o produtor cultural Flávio Aniceto,  dentre vários outros amigos. Como aquela foi minha primeira exposição individual, decidi não vender nenhuma das artes, evitando que fossem utilizadas em outros projetos, além do que foi proposto originalmente.

O problema é que, aproveitando-se de digitalizações que foram disponibilizadas aqui no site, algumas pessoas extrapolaram a falta de ética e chegaram a confeccionar até camisetas e vestidos com minhas “estampas”. Rapidamente, meu assessor jurídico entrou em contato com os responsáveis pelos “furtos” e sempre chegamos a acordos amigáveis.

Há cerca de um mês, entretanto, quem teve a surpresa de flagrar uma arbitrariedade fui eu. Estava no interior de Itacaré, cidade que fica ao lado de Ilhéus, quando deparei com a minha Baiana estampando a fachada de uma lojinha. Meus amigos até riram do caso, afirmando ser culpa da globalização, que não poupa ninguém.

Ilustração na fachada da loja Só Arte, no bairro Pituba, em Itacaré

 Não adianta. Por mais que falemos em direitos autorais ou propriedade intelectual,  se quisermos utilizar a internet para divulgar nosso trabalho, sempre correremos o risco de esbarrar nesse tipo de incidente.

Depois de refletir bastante, consultei  outros ilustradores que já passaram pelo mesmo perrengue. Como não pretendo deixar de compartilhar as ilustrações em meus canais oficiais, resolvi adotar uma postura mais séria com quem resolver se “apropriar” de meus desenhos no futuro.

Interessou-se por algum dos desenhos? Mande um email e conversamos sobre a forma mais apropriada de negociar sua utilização. Não é difícil, nem dói tanto no bolso.

Publicado em 08/11/2012, em @Rabiscografia, Curiosidade, Folcloridades, Ilustração, News e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. Você está corretíssimo! Embora suas ilustrações estejam na internet, nada impede que as pessoas as visualizem, porém, a sua utilização precisa de autorização expressa e sim, receber por eventual utilização, é direito seu, pois trata-se do seu trabalho. Ocorre que muitas pessoas e até empresas, esquecem ou fingem que esquecem, desse pequeno detalhe, do direito autoral. Ações são necessárias sim, e se o caso, providências jurídicas para tentar coibir essa prática. É difícil, mas não se pode aceitar essa prática como se fosse normal em razão da “globalização”.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: